Filho, eu tive uma infância muito feliz e sem medos. Eu brincava na rua, jogava bola e pulava corda em frente de casa, coisa que você não vai saber o que é, morando no centro de Belo Horizonte. Ia pra fazenda do meu avô passar os finais de semana e ficava o dia todo perdida naquele quintal, que pra mim parecia não ter fim, tomava leite direto da vaca, comia fruta do pé, tomava banho de mangueira, andava a cavalo, eu amava muito aquele lugar, dormia no carro na volta pra casa e só acordava no dia seguinte.
Eis que um dia, aos 12 anos, eu caí do alto de uma árvore, de costas, ao lado de um toco. Filho, foi por centímetros que eu sobrevivi. Seus tios, ainda crianças, riam achando ser brincadeira, mas esse tombo mudou o rumo da vida da mamãe. Eu aprendi a ter medo, medo de arriscar, de saber que a qualquer momento o galho que me sustenta pode estar podre e o tombo é maior quando se está no alto. Perdi o gosto por aquele lugar que eu gostava tanto, ficou com gosto de medo. A vida, de alguma forma, estava me preparando, visto que três anos depois meu avô se foi, naquela mesma fazenda. Hoje, quase 10 anos depois, estou pisando em um galho que não sei se confio ou não, mas preciso pisar, preciso disso pra sentir que tentei. E se eu cair? Pelo menos caí fazendo a coisa certa.
O que eu quero te falar, meu amor, é pra nunca deixar que o medo tome conta de sua vida, se você cair fazendo a coisa certa, eu estarei lá, pra te apoiar. E a dor, por mais forte que seja, passa.
Tudo passa, João, e é preciso aprender com isso, sempre. Você é forte, meu pequenininho.
Chorei. Vc é uma mãe sensacional. João não podia ter sido enviado para uma mãe melhor.
ResponderExcluirAmo vc.
Obrigada Mah, eu tento ser o melhor que posso!
ExcluirQue lindo! Mas não tenha medo mocinha! A vida é feita de altos e baixos. E o medo às vezes nos impede de realizar alguns sonhos. bjos e boa sorte!
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