07 abril, 2013

Por uma maternidade sem receita universal.


Eu cresci com babá, meus pais sempre trabalharam fora e precisavam de alguém para auxiliar na criação dos três filhos. Todo o tempo em que estavam fora do trabalho, eram pais. Davam banho, cuidavam, brincavam, faziam tudo. Nunca foram de nos deixar com babás folguistas para que pudessem sair para festas ou aproveitar o namoro todos os finais de semana, faziam (e ainda fazem) questão de nos incluir nos programas deles, quando saíam nos explicavam a necessidade de ter um tempo pros dois. A falta que sentíamos durante o dia era recompensada nos momentos em que eles chegavam do trabalho e aproveitavam conosco.
Aos 18 anos  engravidei, lembro das palavras da minha mãe "Eu serei avó, não mãe. E é você quem vai cuidar do seu filho..." Eu tive medo de não conseguir, mas durante os seis meses me preparei para que pudesse ser a melhor mãe que eu conseguisse. Na época, eu estudava turismo na UFMG. Estudei e trabalhei enquanto pude. Jojoca nasceu, cuidei do umbigo, sofri para amamentar e consegui e, nos oito meses seguintes, fiquei na casa dos meus pais. Moleza? Não, acabei ficando sozinha da mesma forma. Minha mãe saía de casa 5h30 e retornava às 23h, meu pai no mesmo ritmo, eu fiquei em casa com um recém-nascido sozinha e sobrevivi. E onde o Samuel estava nessa história? Terminando a graduação. Nunca me importei, cuidar do João nunca foi um fardo, eu faço com prazer.
Levava ele às sessões e pagava para que alguém olhasse ele onde eu estivesse fotografando, quando dava (quase nunca) minha mãe ia comigo e eu o amamentava nos horários certos. Aos 7 meses e meio veio a primeira pneumonia e adivinha? Lá estou eu, novamente. 
Em março de 2010, voltamos para Belo Horizonte, trouxe uma babá de confiança que cuidava do filho e, como ele dormia muito, da casa também. Eu precisava terminar meu curso, trabalhar e Samuel precisava fazer o mestrado dele. Quer saber? Durou três meses. Eu sempre soube cozinhar, lavar, passar e meu filho sempre foi minha responsabilidade... ele estava com 11 meses, egoísta e não era a mesma criança que saiu de mim. 
Eu não conhecia Belo Horizonte e não sabia por onde começar. O que fazer para melhorar uma situação que, até então, não tinha saída? Uma conhecida me falou que as escolas aceitavam crianças a partir de 4 meses, eu tinha pena e não sabia por onde começar a procurar. Juntos, eu e Samuel, decidimos procurar por escolas perto, ambiente acolhedor e onde ele se sentisse em casa, mas com boa estrutura e que permitisse acompanhar o desenvolvimento do nosso Jojoca. Pai psicólogo e mãe neurada filha de psicopedagoga... já viu no que ia dar. Por indicação, e após conhecer várias escolas, optamos por uma pequena, com seis alunos por classe, monitoras, boa alimentação e uma estrutura agradável. Ele não teve problemas de adaptação, o que me fez amar mais ainda a ideia da escola. Ele passou a conviver com outras criança e lá eu tinha a certeza de que ele estava sendo bem cuidado.
Em abril de 2011 Samuel se muda pra São Paulo e aqui fico, estudando, trabalhando e cuidando do filhote; sempre muito presente, a partir do momento em que o buscava na escola minha atenção era totalmente dele. Eu tinha 10 horas do meu dia para trabalhar e organizar minha vida sem ter que me preocupar em dividir a atenção do meu filho com minhas tarefas e, do meu jeito, eu consegui passar por esses dois anos. 
Foram 8 pneumonias, 3 festas de aniversários, muitas viagens, alegrias e dificuldades. Optamos por ser família, eu sou mãe, samuel é pai e ambos cuidamos da nossa casa e do nosso filho. Nos ajudamos e as lembranças dos 10 anos iniciais do João serão de uma família que se apoia, assim esperamos. Não terceirizamos educação, na escola ele será alfabetizado, mas os valores são os que ensinamos, em casa,  todos os dias. 
Participamos da vida dele e também temos a nossa, não temos babá e no tempo em que ele está na escola resolvemos as pendências da vida. Quando um precisa de algo durante a noite ou para alguma viagem, sabemos que o outro estará disponível e quando queremos ter o nosso tempo, nos planejamos. 
Cuido da casa, de mim, do João e do Samuel, e isso é tarefa de todos. Cuidamos uns dos outros o tempo todo, porque somos base e força de cada um. João sabe a importância de uma mãe, do pai e do respeito para com as pessoas.
23 anos: nessa mania de independência, birra com empregada/babá/mãe que só pariu, me DESTRUÍ esse final de semana. Depois de correr atrás de um apartamento por meses a fio, desistimos e ficamos com um no mesmo prédio. Moraremos no centro MESMO, em apartamento antigo, pequeno MESMO. Na sexta-feira joguei água de cima a baixo no apartamento, lavei TODAS AS PAREDES e teto... rodapé, piso, com esponja de aço etc. Mudamos, estamos colocando as coisas nos lugares e, ao mesmo tempo, um brincando com o João e outro fazendo a mudança. Tô destruída? SIM. Mas feliz.
Infelizmente vemos a terceirização da educação acontecendo o tempo todo. Mil babás, empregadas, escolas e tudo mais não substituem a MATERNIDADE e a PATERNIDADE, estes serviços e pessoas são ajudas preciosas e têm seu papel na formação das personalidades, mas não devem tomar o lugar que cabe aos pais. Seu filho te dará "trabalho" por 10 anos, após essa idade, as brincadeiras terminam e será tarde de mais. Cansa, desgasta, mas é e o trabalho mais bonito que fazemos por nossos pequenos. Você pode ser uma pessoa realizada, mas é importante que a peça principal da sua vida, seu filho, seja peça fundamental e participante dessa realização.
Desliga essa TV, vá BRINCAR com seu filho. Volte à infância e faça a dele mais feliz. Seu filho só será criança uma vez e a vida dele é muito curta para deixar que outras pessoas tomem seu lugar. Não tem essa de não conseguir, só não consegue quem não quer. Crianças precisam de pais que as amem o suficiente para investir tempo, amá-las, educá-las dar-lhes limites e liberdade para serem felizes.
Hoje, eu, Marina, estudo, trabalho, cuido da família, da casa e de mim. Sou feliz, mulher, bonita do meu jeito, sonhadora, realizada e é isso que importa. A maternidade não tem uma receita universal. Seja mãe, pai, amigo, companheiro para seu filho; isso fará a diferença, acredite.
Me desculpe quem acha que minha energia vem da idade, ela vem do amor.

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