Eu amamentei até os sete meses e meio, parei porque precisava fazer uma cirurgia. Não dei açúcar até um ano, mel sempre evitei. Hoje, três anos e nove meses, meu filho tem uma alimentação saudável, com o mínimo de doces, frituras e refrigerantes. Pratica judô, vai a escola e vive em um ambiente arejado. Faço o que posso e o que não posso para mantê-lo longe de possíveis doenças e mesmo assim a minha luta é diária. Todos me perguntam como ele adoece tanto e minha resposta é sempre a mesma: herança genética.
Jojoca já teve sete pneumonias, até completar três anos as consultas e visitas aos PA's de Belo Horizonte eram mensais e a minha luta só diminuiu depois de um acompanhamento com a pneumologista e pediatra querida Dtra. Yara Ribeiro, mas para quem tem um filho com bronquite asmática sabe que todo cuidado é pouco.
Hoje, ao pensar em escrever sobre o assunto, passou um filme na minha cabeça. Quando ele nasceu demoramos um pouco para fazer o plano, pois ele nunca havia tido nada e as consultas mensais particulares saiam mais em conta que pagar um plano de saúde que cobrisse nossas necessidades. Assim que parei de amamentar veio a primeira pneumonia e então optamos por fazer Unimed para ele, um plano completo para que nunca lhe faltasse nada. A Unimed BH nos ofereceu pacotes que atendiam somente Minas Gerais e atendimento de urgência em outros estados, mas como vivemos viajando optamos por fazer o plano no Rio de Janeiro onde a cobertura era nacional. Minha cunhada correu atrás e pronto, na minha cabeça teria médicos sempre a disposição do meu filho. Na minha cabeça, só. Foram uma série de acontecimentos, horas e dias perdidos sentada em uma cadeira de hospital em que eu irei detalhar enumerando para melhor entendimento.
1- Copa do mundo, jogo do Brasil contra qualquer time qualquer e minha família toda na minha casa para assistir nosso time. No meio do Jogo o João começa a vomitar sem parar com uma febre de 40º. Levamos ele para o Hospital Infantil São Camilo e chegando lá estava vazio, sem nenhuma criança na nossa frente, aos dois minutos de segundo tempo e o João não parava de vomitar. Esperamos até o jogo acabar, assim que o Juiz apitou o fim de jogo o médico abriu a porta e chamou o nome do João. Piada, falta de respeito ou o que?
2- João com febre, terceiro dia seguido e muita tosse. A consulta com a pediatra era na manhã seguinte mas como a febre não estava cedendo, resolvemos leva-lo ao São Camilo. Fomos atendidos por uma pediatra que tratou como um saco de lixo, com descuido e desprezo. Saí com ele da sala pior do que tinha entrado e chateada com o fato de um ser tão desprezível ser responsável por vidas de crianças. Hoje carrego o nome e CRM comigo para que ela nunca mais encoste no meu filho.
3- João tendo convulsões e novamente fomos para o São Camilo, dessa vez eu e uma amiga. Fizemos a ficha e nos pediram para aguardar o atendimento que iria demorar 2 horas. Alguém me explica como aguardar duas horas para um atendimento com uma criança nesse estado? Ao explicar que haviam crianças pulando e como estado de saúde do meu filho era grave ele tinha o direito de ser atendido primeiro, obtive a seguinte resposta: As outras mães também estão com os filhos doentes, não é só a senhora que é mãe. Saí de lá pela mesma porta que entrei e procurei outro hospital, que ao passar no acolhimento foi encaminhado direto para a emergência.
4- João com tosse, febre e abatido. Hospital da Unimed na Contorno a pediatra o atende e dá o diagnóstico: VIROSE. WHAT? Não. Não é virose. "Quer saber mais do que eu que sou médica?" e a resposta: QUER SABER MAIS DO QUE EU QUE SOU MÃE? Pedi um novo atendimento com raio X. Diagnóstico? PNEUMONIA.
5- Cinco horas de espera, João e mais 15 crianças com pulseira amarela e vária crianças com pulseiras verdes sendo atendidas primeiro. Não havia registrado a passagem dessas crianças pelo acolhimento e se algumas mães não tivesse se manifestado, o que ocorreu com muita falta de respeito e até mesmo agressão verbal dos seguranças para com as mães, isto não teria sido descoberto.
6- Uma série de humilhações e desrespeito. 09/06/2012. No dia anterior, após a festa de aniversário, o João caiu e bateu o queijo na calçada e durante a semana estava tomando antibiótico pois estava com a garganta inflamada, quando acordou não conseguia levantar da cama, reclamava de muita dor na nuca e o levamos ao hospital. Suspeita de meningite. Não foi possível detectar no exame de sangue se era meningite ou outra infecção, como os sintomas eram semelhantes era necessário a retirada do liquor. Estava conversando com pediatras de confiança no telefone e por orientação deles eu autorizei e foi aí que tudo começou. Eu conhecia o procedimento de uma punção lombar e sabia que meu filho iria sofrer, como o Samuel fica balançado ao ver o João sentindo dor e já estava abalado com a suspeita de meningite perguntei ao Neurocirurgião que faria o exame se era necessário ele ficar na sala pois ficava nervoso com o exame e a resposta, na minha opinião, não poderia ser mais estúpida para a ocasião: Eu vou fazer um exame no seu filho, não vou matar ele. Expliquei que não era esse o caso e o Samuel se retirou. O médico detalhou o procedimento e solicitou três enfermeiras para segurar uma criança de 3 anos, eu disse que não era necessário que eu e mais uma conseguiríamos e que gostaria de explicar pra ele como seria feito o exame que ele ficaria quieto e não iria chorar. Novamente uma resposta estúpida em tom de deboche: Se esse menino ficar quieto e não chorar eu dou uma bicicleta pra ele hahahahahaha!!! Precisava disso? Eu já estava exausta, meu filho iria passar por um procedimento doloroso e o mínimo que se espera nessa hora é respeito. Expliquei para o João como funcionaria e que a mamãe estaria ao lado dele. Durante o exame ele não chorou nem se mexeu, ficava repetindo: Mamãe, ele está me machucando e eu não quero bicicleta dele. O médico ficou tão sem graça que saiu até mesmos em se despedir. O tempo previsto para o resultado do exame era de 7 horas, no entanto após 2 dias aguardando na observação NINGUÉM sabia do exame do meu filho, que por sinal não conseguia andar por causa da punção lombar. Após MUITA conversa, desrespeito por parte dos profissionais do hospital e da direção, falta de informação, humilhações e tudo mais, encontraram o recipiente sem o pedido de exame. Resultado: O João estava apenas com um torcicolo.
Após ler todas essas situações humilhantes vocês devem estar se perguntando porque eu continuo com esse plano. A resposta é simples, ruim com ele e pior sem ele. Vejo relatos todos os dias de descaso com pacientes de outros planos, de quem paga particular, do sus, do ipsemg. Não temos para onde fugir, a única solução é a melhoria dos serviços prestados. Na última internação meu filho foi muito bem tratado e sabe onde? No Hospital da Unimed da Contorno onde seguiu internado no Hospital da Unimed no Bairro Grajaú. É aí que eu tenho fé, se eles conseguem prestar um atendimento de qualidade por que não o fazem sempre? Temos direito ao SUS e ainda assim pagamos o plano todos os meses com prazer e esperança de um atendimento decente, que não nos falte em momentos de necessidade. Eu, como mãe e mulher, vou atrás dos meus direitos e dos direitos do meu filhote. E espero, de coração, que os gestores dessas empresas trabalhem para melhorias... precisamos disso. Força e fé, sempre!