
Sophia veio ao mundo no dia 29 de Março de 2011, num parto humanizado.
Assim que confirmei a gravidez, fui em busca de informações, encontrei um grupo na internet de nome "Gravidez, parto e maternidade", através desse grupo conheci o parto humanizado, conheci os benefícios do parto normal, antes disto para mim não tinha diferença ou importância a via de nascimento.
Encantei logo de cara com a possibilidade de dar a luz de forma natural, com a participação ativa que o pai pode desempenhar no parto e mais ainda de ter assim que nascesse minha filha em meus braços e mamando nos primeiros minutos de vida, que inclusive é uma recomendação da Organização Mundial de Saúde.
Fiz todo meu pré Natal na rede particular e escondi da minha obstetra meu plano de parto por ter sido claro para mim que ela era cesarista. Mas um dia o Gilson comentou com ela da nossa decisão, ela logo disse que tínhamos muito tempo ate o parto e que me faria mudar de idéia. Como isto é uma decisão que cabe a mulher, segui meu pré Natal com ela e deixava claro a cada consulta que era uma escolha baseada em evidencia cientifica, que minhas informações eram seguras.
Segui com meu plano, me informando cada dia mais. Estava decidida que teria meu parto natural e humanizado.
Vi muitos vídeos de parto humanizado, li inúmeros relatos e foi nestes relatos que li muita coisa positiva do hospital Sofia Feldaman, que até então não víamos com opção de forma nenhuma. Resolvemos ir conhecer e saber se tudo aquilo que liamos era verdade. Sim, era verdade! Senti uma emoção, um arrepio gostoso quando, com quatro meses entrei pela primeira vez no quarto que possivelmente minha filha nasceria. Depois daquela visita tivemos certeza que o local que escolhemos para o nascimento de nossa filha era um lugar encantado, onde anjos nos auxiliam a trazer ao mundo nosso bem mais precioso. Assim considero a casa de parto do Sofia Feldaman, uma instituição publica que dinheiro nenhum no mundo poderia nos nos da melhor acolhida.
Seguimos a gravidez fazendo tudo que todo casal gravido faz, ficávamos maravilhados com as imagens de US, comprávamos coisas de bebês, íamos em encontros da ONG Bem Nascer e juntos aprendíamos mais e ficávamos mais fortalecidos na nossa decisão.
Com sete meses de gravidez conheci a Lilia, enfermeira Obstetra no Sofia, parteira e um anjo de tão doce, sorriso e olhar que nos faz sentir paz. Ela me orientou alguns procedimentos que ajudaria preparar meu corpo para o momento do parto. Marcamos um novo encontro para quando eu entrasse no nono mês, onde ia duas vezes por semana no Sofia para fazer escalda pés, auricultura.
Gilson que nos dois primeiros meses de gestação acreditava que cesárea era melhor escolha, já levantava a bandeira do parto humanizado para outros casais, me enchia de orgulho e o apoio dele fui muito importante!
Minha data prevista era 27/03, um domingo que acordei me sentindo bem, não me sentia cansada e a ansiedade que me consumia naquele dia também não se apresentou. rs Fui com minha irmã na feira Hippie na Afonso Pena, compramos o Moisés até então estava numa duvida danada se comprava. Foi uma das minha melhores compras. :)
Passei o dia com a família, me sentido muito bem, nem parecia gravida. Por volta das 23 horas, Gilson e eu fomos fazer uma caminhada, na volta senti que descia liquido, parei para fazer xixi, mas depois disto ainda sim continuava e notei que não conseguia controlar, ao chegar em casa fui no banheiro e vi que era um liquido meio rosado, olhamos em estado de êxtase um para o outro e pensamos, esta perto de te-la nos braços. Juntamos tudo que faltava e descemos para o carro, após isto mandei uma SMS para a Lilia alertando do que tinha acontecido. Amanheci com uma ligação dela perguntando como me sentia. Como eu não sentia dor e nenhum desconforto, ela me aconselhou a ir mais para o fim do dia na casa de parto para verificar como estava evoluindo.
Fazia um calor daqueles, passei o dia deitada, cochilando. Mais para o fim do dia comecei a sentir dor de cólica e contrações mais ritmadas. Aproveitei para fazer uma carta para minha pequena, descrever aquelas ultimas horas de barrigão.
A noite, por volta das 21 horas decidimos ir no Sofia e ter notícias do andamento do parto. Fui atendida pela enfermeira Obstetra Sybille, outra pessoa doce e calma, me avaliou e disse que estava com 3cm de dilatação, para eu fazer uma caminhada e que na madrugada engrenaria. Voltamos para casa. Quanto mais o tempo passava mais as contrações ficavam mais doloridas, era uma dor de cólica, mas super suportável. Eu tentei dormir, o calor, o vizinho tossindo e as contrações não me permitiram. Deixei o Gilson dormindo e fui para a sala, quando vinha contração eu rebola, agachava. Depois resolvi ir para o chuveiro, como eu desejei um chuveiro de hotel naquela hora, como o chuveiro de casa pouco ajudou, resolvi acordar o Gilson. Era hora de ir definitivamente nós dois e voltar nós três!
Saímos de casa as quatro da manhã de Terça Feira, e o bom de entrar em trabalho de parto de madrugada é não ter trânsito. Por nenhum lugar que passamos, chegamos ao Sofia super rápido. Eu nem conseguia acreditar, Terça feira, dia de plantão da Lilia. Durante a gravidez perguntei se ela acompanharia meu parto e ela sorrindo me disse para mentalizar que sim. E assim foi, Sophia veio num dia de plantão da nossa querida Lilia.
Chegamos lá as quatro e vinte da manha, ainda era plantão da Sybille, que me avaliou e com um sorriso me disse: Vc esta em trabalho de parto ativo, vou te internar! Nesta hora eu sorri com a alma. Me dei conta de que em algumas horas o momento mais esperado de toda minha vida estava bem próximo de acontecer. Fui para debaixo do chuveiro, que delicia de água quente, tirava a dor como mágica. Achei que o dia amanheceu rápido. As sete horas Lilia veio me cumprimentar, mais uma vez com sorriso doce disse: Chegou sua hora nega! Gilson sempre do meu lado fazendo massagens no momento das contrações, me ajudava a lidar com as dores, me falava palavras confiantes. Segurava minha mão enquanto eu tomava a água com as gotinhas homeopáticas da Lilia.
Tomei café da manha trago pela tão querida Maria Clara outra enfermeira muito querida que participou do meu parto.
Chuveiro com bola, chuveiro sem bola, rebolava apoiando nos ombros do Gilson nos momento de contrações.
Por volta de onze horas Gilson me trouxe um açaí com Kiwi e neste momento as enfermeiras preparam a banheira para mim. Ainda me sentia bem, estava bem amparada a cada contração, não tinha nem idéia da hora que Sophia nasceria. Eu olhava para a malinha dela ali no quarto e me sentia imensamente alegre e mais forte.
Fui para a banheira, as massagens aliviavam a dor, mas entrar na banheira foi como entrar no céu.
As pessoas pensam que o parto é uma tortura, mas eu me sentia uma mamífera, uma deusa parindo. Nesta hora já estava na partolândia, completamente entregue. Minha irmã, chegou por volta de meio dia, eu cochilava entre uma contração e outra, nesta hora o cansaço já batia e minha irmã cuidava de mim, com massagens e passava a toalha umedecida com água fria no meu rosto.
Num determinado momento a Lilia perguntou se eu sentia vontade de fazer força, eu disse que não. Pediu que eu me tocasse e naquele momento senti a cabecinha da minha Sophia, como o cansaço neste momento já me tomava, fiquei na dúvida se era mesmo. Sai da banheira e fui para a banqueta, Gilson sentou atrás de mim e me apoio com suas mãos, minha irmã me falava palavras de incentivo: tá nascendo, força!
Os gemidos no momento das contrações constratava com o momento de intervalo entre elas. Sem anestesia, Sophia estava coroando, nascendo!
Sophia veio ao mundo numa Terça feira, as 16:22 de 29 de Março de 2011, diante de esforços incomensuráveis da minha parte e da dela. Sob as palavras de emoção do papai: Nasceu, Paty! Nasceu! Com certeza, a dor foi o de menos, é uma dor incomparável, prazerosa só pelo motivo. Eu me realizei, foi o momento mais deusa da minha vida. Assim como desejei toda a gravidez, nasceu e tivemos contato pele a pele imediatamente. Ficou ali, deitadinha sobre mim, com apenas um olhinho aberto nos olhando enquanto a admirávamos. Nós conseguimos, papai, mamãe, Sophia, tia Cristina e toda equipe que nos auxiliou.
Dizer algo do momento que a vi, simplesmente impossível. Um misto de sentimentos e emoções, tanta coisa junto, amor, alegria, alivio, sensação de sermos vendedoras. Estar com ela deitadinha sobre mim, ainda ligada no cordão umbilical pelo tempo que quis, beijar sua cabecinha com aquele cheiro de vida que guardo na memória como melhor perfume que cheirei na vida, e uma sensação de que na verdade era um reencontro, uma sensação de que já nos conhecíamos. Foi os melhores sentimentos que senti na vida. Incomparável.
Eu aqui declaro, SOMOS MUITO GRATOS À CASA DE PARTO SOFIA FELDMAN, a todos da equipe com tratamento humanizado que fizeram parte da realização de nosso sonho. Um sonho divino, com personagens divinos.
Uma coisa é muito certa, a consciência do poder da mulher chegou ate a mim sem avisar. Quando um filho chega, da forma que Sophia chegou, não tem como uma mulher não se conscientizar de seu poder. Agradeço a Deus por ter me dado a oportunidade de encontrar -me com o poder divino que esta em mim.
Agradeço muito todos os dias e continuarei agradecendo!
Minha pequena Sophia, fiz esta escolha por você primeiramente, por mim, pelo papai! O principal objetivo desta escolha, nos conseguimos, ter você junto de mim assim que nascesse. Nós conseguimos!
Eu te amo!
Com amor, mamãe!
Patrícia Carvalho, mãe da Sophia de 2 anos e 2 meses, participante do Grupo de mães Pequenininhos.
