Durante todo o pré-natal do João e até a 29ª semana do Francisco minhas consultas eram com um médico obstetra conceituado em Belo Horizonte que atendia pelo meu plano de saúde, escolhi o mesmo médico porque o parto seria com o plantonista, então não "arrisquei" no pré-natal. As consultas eram basicamente a mesma coisa: eu entrava na sala, ele perguntava meu nome todas as vezes, olhava os exames, aferia minha pressão, auscutava o bebê, media a barriga e pedia novos exames. O fato do João estar na mesma sala era algo que não fazia diferença, visto que as palavras trocadas com meu filho de quatro anos se resumiam em "boa tarde, como você chama? que nome bonito!". Aí vem aquele papo de confiar no médico por ele ser conceituado, mas não era isso que eu esperava de um pré-natal. Primeiramente eu queria embasamento científico para cada exame e procedimento que me era proposto e era em casa que eu pesquisava sobre isso. Em segundo lugar porque eu via os pré-natais holandeses, ingleses, franceses, (...) com as midwifes e pensava: Não é possível que isso não existe em Belo Horizonte!
Eu já participava de grupos de parto da cidade onde as pessoas se reuniam para trocar informações e várias vezes me indicaram alguns profissionais, eis que com 29 semanas decidi ir conversar com um médico dessa lista de indicações. Liguei no celular desse médico que me atendeu com muita cortesia e se ofereceu para tirar minhas dúvidas durante o plantão dele no mesmo dia. Fomos eu e Samuel, durante a conversa o Lucas (quando chamei ele de Doutor Lucas ele me corrigiu e disse que relação nesse caso é de amizade, que as pessoas precisam ter confiança umas as outras. PONTO PRA ELE!) citou N protocolos da OMS, explicou os procedimentos para com a gestante e com o RN citando pesquisas de cunho internacional e explicando cada um detalhadamente. Indicou e não indicou alguns procedimentos e incluiu o Samuel na conversa. Me indicou uma profissional para atender meu pré-natal, disponibilizou o número do celular para que eu ligasse sempre que eu precisasse e me orientou de forma completa. Não foi uma conversa rápida, mas passou voando. Quando vi já tinha passado quase uma hora de conversa e não havíamos notado. Saímos do hospital tranquilos, com a certeza de que estamos no caminho certo, assistidos por profissionais embasados cientificamente.
Com 30 semanas foi minha primeira consulta com Enfermeira Obstetra, a Raquel e a Cristiane. Ginecologista Obstetra só em caso de gestação de auto risco! Médico pra que? Não estou doente! E vou numerar os pontos para que vocês entendam e se coloquem no meu lugar.
ps¹: O Lucas realmente atende a qualquer hora e ainda usa whatsapp, muita modernidade. O mesmo vale pra Raquel.
ps²: Lucas é referência em obstetrícia no Brasil, médico conceituado e respeitoso. Raquel referência da mesma forma e isso tudo é de graça, não é pelo plano que continuo pagando, é um SUS que funciona.
- Ao chegar na casa de parto me deparei com um ambiente extremamente familiar, várias gestantes conversando naquele bom e velho papo de comadre, como se se conhecessem há anos. Na recepção fizeram minha ficha já me chamando pelo nome. Esse papo de mãezinha não existe lá.
- Me explicaram como funciona o centro de terapias pra gestante a partir da 37ª semana e que seria bom eu ir pra relaxar, fazer escalda pés, massagem, acupuntura. Já estou contando os dias!
- Ao entrar na sala de atendimento fui chamada pelo nome várias vezes (não me chamaram de Mariana nenhuma vez, milagre!) o que eu valorizo muito em um profissional. Perguntaram o nome do meu filho e sempre se dirigiram ao Francisco pelo nome e não por "o bebê, o feto".
- Raquel e Cristiane me fizeram várias perguntas a respeito da gestação, da minha família, do meu histórico de saúde físico e psicológico, sobre minhas expectativas sobre o parto, sobre meus acompanhantes no hospital e me explicaram vários pontos importantes também, os benefícios de se entrar em trabalho de parto e do parto normal, as reais indicações de uma cesárea e que se fosse necessário ela é uma opção importante, como funciona a maternidade e os acompanhantes (posso levar quem eu quiser), a importância de não se fazer o exame de toque nas consultas, a importância do movimento no trabalho de parto, como lidar com a dor e seu conceito, cuidados com a saúde durante a gestação e procedimentos do pré-natal, parto e pós-parto.
- Me pesaram, mediram a barriga, auscutaram o Francisco e antes de qualquer procedimento era pedido permissão para me tocar e me explicavam o que iriam fazer. Pedi pra olhar a posição do Francisco e ela me explicou que esse exame era um pouco incômodo, se eu realmente queria fazer, e só depois de concordar ela me tocou. Realmente é incômodo, mas durante o processo ela foi conversando comigo e me tranquilizando, explicou que caso ele estivesse pélvico poderia mudar a posição até a hora do trabalho de parto e todas as opções para uma versão cefálica, mas francisco já estava cefálico e então ela me mostrou a cabecinha dele encaixada e tudo mais.
- Durante o pré-natal convencional em 30 semanas eu já havia feito cinco ultrassons e então elas me explicaram também a real necessidade desse exame, que ele deve ser feito sempre que necessário, mas não de forma abusiva. Que todo procedimento deve ter uma indicação, não deve ser feito como forma de sanar vontade. Além da taxa de erro do us no final da gestação, que pode variar de duas semanas pra menos.
- A inserção da família no processo da gestação é algo primordial, o tempo todo inseriram João e Samuel no contexto, perguntaram sobre minha família e a família dele, as opiniões, expectativas e como funcionam as relações de ambos os lados.
- Incentivaram o plano de parto, que é recomendado pela OMS, pediram que eu levasse o meu para que tivessem conhecimento das minhas vontade e ofereceram ajuda na elaboração, caso necessário. Vale ressaltar que nenhum hospital particular de Belo Horizonte aceitou os planos de parto enviados por um grupo de mulheres que buscavam essa melhoria.
- Ao citar os procedimentos com o recém-nascido enfatizam a importância do cuidado e do respeito para com um ser que acabou de chegar ao mundo, evitando assim agulhadas e outros procedimentos invasivos, dolorosos e desnecessários (Como tirar o sangue da criança quando esse sangue pode ser tirado do cordão umbilical).
ps¹: O Lucas realmente atende a qualquer hora e ainda usa whatsapp, muita modernidade. O mesmo vale pra Raquel.
ps²: Lucas é referência em obstetrícia no Brasil, médico conceituado e respeitoso. Raquel referência da mesma forma e isso tudo é de graça, não é pelo plano que continuo pagando, é um SUS que funciona.