21 maio, 2014

Amor líquido




Quando João nasceu eu só fui amamentá-lo uma hora e meia após o nascimento, a enfermeira me disse "tá na hora de colocar esse menino no peito, né?" e assim o fiz. Sem nenhuma experiência, nenhum apoio a não ser o da minha mãe que pouco entendia de amamentação. O colostro não havia descido e meu filho chorava de fome, a pega estava errada e feriu meu peito, eu chorava de dor. No hospital assinei um termo me recusando a amamentar, porque acreditava que o problema era comigo que não tinha leite. A equipe do hospital não me orientava em relação a amamentação, não me tranquilizava, pelo contrário, me aterrorizavam falando que eu estava destruindo a saúde do meu filho não querendo amamentar e eu chorava. Na semana que seguiu o nascimento dele eu tirava o colostro com a bomba elétrica em todas as mamadas, até que o leite desceu com toda a força que ele poderia descer, resultando em uma mastite horrorosa. Ouvi que deveria colocar água quente, o que aliviava na hora e depois só piorava, tive febre, delirei. Durante esse período meus pais me apoiaram, meu pai estava lá comigo enquanto eu delirava de febre, ele colocava João no meu peito e tirava após ele mamar. Foi então que encontrei uma profissional que me orientou da forma correta, em Bom Despacho, cidade do interior, uma enfermeira me explicou sobre a importância da pega correta, me ajudou a corrigir a pega do João e todos os dias pela manhã eu ia ao Centro de Saúde da Mulher para que ela drenasse o leite do meu peito que estava inflamado e me ajudasse com a amamentação, lá eu aprendi a importância da amamentação exclusiva e aprendi a ter prazer em amamentar meu filho. Talvez a Denise nem saiba o quanto sou grata a ela, mas foi graças aquele apoio que João foi alimentado por meu leite exclusivamente até os seis meses.


Quando Francisco nasceu ele foi direto pro peito e lá permaneceu por, no mínimo, uma hora. A primeira coisa que ele fez ao nascer foi mamar, uma enfermeira corrigiu a pega dele assim que ele nasceu e assim ele seguiu mamando. Enquanto eu estava na maternidade a equipe vinha me falar da importância da amamentação, verificar a pega dele e se meu leite tinha descido. Ele demorou a descer, mas o fato dele sugar a todo momento não deixava com que ele ficasse nervoso e o fato de eu estar tranquila refletia nele. Das lembranças do nascimento, ele ter ido direto pro meu peito é o que mais me deixa feliz, aquele calor, o cheirinho dele, cheiro de bebê que acabou de nascer, sabe? Não aquele cheio de sabonete. Foi tão lindo como ele sabia perfeitamente o que deveria ser feito, ele nasceu pra isso e sabia que ali teria seu alimento.


A amamentação não é tarefa fácil e ninguém nos informa isso. A maioria das mães cai nessa situação sem saber o que fazer em caso da mama ingurgitada, da importância do aleitamento exclusivo e sem noção de tudo o que pode acontecer nesse período. É preciso apoio de quem está ao lado dessa mãe e orientação, a cobrança só prejudica. Um ambiente respeitoso, tranquilo e com profissionais capacitados faz toda a diferença. Hoje eu amamento onde meu filho sente fome, onde ele precisa de acalento e de amor. E quando me questionam sobre meu filho fazer o peito de chupeta a resposta é simples: ele não faz meu peito de chupeta, errado seria se ele fizesse a chupeta de peito.
A amamentação é um ato de amor e doação. Você, familiar, apoie e seja fonte da paz para essa mãe. E você, mãe, continue firme. Aquele momento olho no olho vale mais que ouro.

Um comentário:

  1. What a blessing!!! I will never forget the amazing moments in which I bonded with my daughter while I breastfed her...

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