29 outubro, 2014

A falácia das Menas Mains


Há muitos e muitos anos havia um planeta feliz onde todas as mulheres pariam, amamentavam seus filhos, cuidavam deles e do lar até o fim. Algumas dessas mulheres sentiram necessidade de trabalhar fora e pra isso acontecer precisavam de outras pessoas cuidando dos seus filhos e de interromper a amamentação, passando assim a oferecer outros tipos de leite e alimentos para essas crianças. Além disso, algumas mulheres tinham complicações no parto, aí os médicos inventaram uma cirurgia salvadora chamada de cesariana, ela extraía o bebê quando acontecia alguma intercorrência no trabalho de parto.  Frutas, verduras, grãos eram os alimentos de cada dia.
Os anos se passaram e as mulheres saíam cada dia mais de suas casas para trabalhar, se cuidar, viajar, ou o que quer que seja. As babás e escolinhas entraram como parte da família, visto que auxiliavam de forma absurda o dia a dia familiar. Os médicos, com medo de possíveis intercorrências, não aprenderam (ou esqueceram) seu papel no parto e começaram uma fábrica de cesarianas por conveniência. A informação era feita por uma mídia comprada e manipulada. As empresas vendiam alimentos açucarados, complementos alimentares, medicamentos e divulgam como o necessário para uma boa mãe oferecer, caso contrário o filho será infeliz. As crianças andavam em carros no porta-mala, no banco da frente, sem cinto, sem segurança.
E o tempo passou mais, na internet alguém percebeu que as coisas precisavam mudar, que o ser humano estava fugindo da ordem natural e se continuássemos nesse ritmo nossos filhos sofreriam de obesidade, morreriam em acidentes de trânsito, mães estavam morreriam ainda mais em mesas de cirurgias... O grito foi dado: tá errado, precisamos mudar a nossa forma de nascer, criar nosso filhos e viver para que sejamos felizes livres de indústrias, rótulos e medos de não nos encaixarmos em padrões criados por um sistema consumista e capitalista. E aí no meio de tanta informação, tanto choque de realidade, tanta evidência jogada na nossa cara de forma tão clara, teve alguém que se sentiu doída, ferida, diminuída que disse "Eu não sou menos mãe por ter feito cesárea, dar doce, dar mamadeira, deixar meu filho na escola, ter babá, ... " e isso gerou uma guerra imaginária das mais x menos mães.
Quando falei de guerra imaginária exploro a minha experiência pessoal, de quem já deu coca na mamadeira, farinhas com açúcar, desmame precoce, uma desnecesárea, entre todos os erros que cometi acreditando estar fazendo o meu melhor. Hoje qualquer um tem acesso a informação, tá aí jogada na internet para quem quiser. A partir do momento que temos acesso a tais informações e tomamos essas como ofensa e não como opções de melhora, como uma reflexão do nosso eu, das nossas atitudes, somos MENOS: menos informadas, menos conscientes. Mas se mesmo com toda informação a pessoa ainda opta por seguir esse caminho a questão é bancar suas escolhas, sabendo o peso e as consequências delas, se diminuir não é o caminho. 
Acho sensacional minhas amigas que nunca ofereceram refrigerante aos filhos, foi a partir daí que mudei a realidade do meu filho e passei a informá-lo sobre os malefícios deste. Acho o máximo mulheres que pariram, mesmo eu não tendo essa experiência, tenho bom senso o suficiente pra saber que é a melhor escolha mãe/bebê e que se você quer parir no Brasil você precisa se informar e lutar por isso, caso contrário você cairá em uma cesárea. Acho muito bacana quem separa o lixo, quem economiza água, quem busca uma alimentação mais saudável, quem se exercita, vive com menos consumismo. Me sinto menos? Me sinto diminuída? Não, de forma alguma! Me sinto agradecida por ter essas informações, que de certa forma me são impostas, e assim posso mudar os hábitos de toda a minha família. 
Todas as vezes que vejo alguém com o discurso de "não sou menos mãe/menas main por isso ou aquilo" me dói o coração, dá vontade de ir lá e abraçar e falar no ouvido: não querida, você é mãezona, agora vamos reavaliar suas escolhas e ver o que realmente é bom, o que é ruim e o que vale (ou não) a pena? Eu te entendo, vivo cuspindo pra cima. 
Que o acesso a informação nos faça mães melhores, nos faça evoluir e saber o quão é bom contar com uma rede de apoio virtual e física. O fato é: não existe menos mãe, menos pai, menos o que quer que seja. O que existe é informação e o uso que se dá a ela. Vale a pena se informar, se valorizar e bancar as escolhas sempre!!!

E fazfavô, não vem com papo de menas pro meu lado que eu não sou obrigada. hahaha

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