Eu vim de uma família extremamente católica, que participa de encontro de casais com Cristo, fui coordenadora de grupos de Liderança Cristã Infantil, ajudava a organizar missas e participava de missões onde costumávamos pregar a palavra de Deus na casa das pessoas da minha cidade. Aos 14 anos quis conhecer a Igreja Batista, meus pais me levavam e me buscavam dos cultos toda semana, até que eu decidi que não era o que eu queria seguir. O Samuel veio de uma família parte católica, parte espírita, parte agnóstica, mas é um ateu convicto. Minhas convicções sobre religião, crenças e até política (pasmem!) são extremamente diferentes das dele. Nossa vida é um teste de paciência 24 horas por dia, porque somos extremamente diferentes. Eu acredito que criar a criança com fé não faz mal, ele acha que faz, eu acredito que a alfabetização deve ser feita mais tarde, ele acha que deve começar a partir dos dois anos, mas acima de tudo nos respeitamos. Em momento algum ele me ofende quanto as minhas crenças, veja que batizei meus dois filhos, nem eu com as dele. Opiniões diferentes só acrescentam.
Política, religião e futebol não se discutem. Já perdi as contas de quantas vezes ouvi isso e todas as vezes penso que só não discute isso quem não sabe respeitar a opinião alheia. Posso discordar e ainda assim acrescentar uma discussão, porque é de discordâncias que o mundo evolui.
Foi lendo textos que divergiam do que eu acreditava que mudei minha forma de maternar, foi a partir de textos de pessoas que eu considerava xiitas, radicais e extremistas que eu percebi que a minha verdade absoluta era mutável e que eu poderia ver o mundo de outra forma, uma forma que eu não conhecia. Uma forma onde ninguém vai pro inferno, ninguém é castigado e que meu Deus não cura um câncer, pois ele não é capaz de dar um câncer para uma pessoa. O meu Deus é o Deus do amor, que não é capaz de fazer mal. Porque se ele é capaz de tudo, ele não iria deixar uma criança inocente morrer com doença de cunho natural, certo? Se ele é capaz de tudo ele pode interferir nesses casos, mas MUITA criança morre todo dia, muitos inocentes. Então conviver com um ateu me fez repensar no Deus que eu acredito. E é o que eu ensino pros meus meninos, o Deus da mamãe, gosta que façamos o bem, que saibamos respeitar os outros, que saibamos amar a todos. Já o papai acredita que devemos fazer isso porque somos pessoas de bem, não porque alguém nos ensina. Quem sou eu pra discordar?
E assim vamos crescendo, com respeito e amor aos outros. Vivendo em paz com nossas decisões e nossas escolhas.
E assim vamos crescendo, com respeito e amor aos outros. Vivendo em paz com nossas decisões e nossas escolhas.
Marina lindo seu depoimento. Eu e meu marido somos ateus e nossos familiares evangélicos, no início houve conflitos, pois não são assuntos fáceis de lidar, com o tempo foram aceitando nossa escolha e somente com o respeito mútuo conseguimos estabelecer uma boa relação. Com o nosso filho deixamos a livre escolha, passamos para ele o que acreditamos e o que não acreditamos, ele vai a igreja com nossos familiares, ensinamos a ele a fazer o bem e ser bom para ele mesmo é com os outros sem uma crença definida ou determinada, ele é o autor da história dele e não um deus, isso é nossa opinião. Mas quando ele crescer e também por ele ir a igreja as vezes, somente ele poderá decidir e sim nós iremos respeitá-lo. Uma discussão saudável irá favorecer nosso intelecto, tornamos mais abertos e menos intolerantes, pacientes e compreensíveis. Respeito mútuo adiante!
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