19 outubro, 2015

O desmame do Francisco - Parte I



Antes de mais nada quero deixar claro que sei de todos os malefícios da mamadeira e da inserção de bicos artificiais, que sei da importância do leite materno até (PELO MENOS) os dois anos da criança e que, acima de tudo, acredito no meu poder como mãe de tentar decidir o que é melhor para os meu filhos respeitando os meus limites e da minha família.

É importante ressaltar que Francisco teve contato com bico artificial (mamadeira) desde os primeiros dias de vida. Eu voltei a trabalhar quando ele fez 15 dias, Samuel não tinha paciência com copinho e como era ele quem ficava com as crianças, aceitei que ele fizesse da forma dele. Durante o primeiro ano do Francisco pratiquei a livre demanda no horário em que estava em casa, ele mamava quando queria e o meu leite foi o principal alimento por 12 meses. No final desse tempo eu já estava esgotada e acreditava que era culpa da amamentação. Meu filho não dormia bem, nem eu. As noites estavam um caos. O que havia funcionado bem durante um ano, com a crise dos 12 meses veio a se tornar uma bomba. E nós decidimos que era hora do desmame noturno. Falo nós, porque foi  uma decisão em conjunto, Samuel foi um ponto importantíssimo nesse processo.

Desmame noturno e fim da cama compartilhada

Um passo por vez, comecei a dormir com ele na própria cama. Depois de passar as sonecas do dia pra cama dele, a noite eu deitava lá, ele mamava e adormecia. O problema era que a qualquer resmungo dele, eu o calava com o peito. A sucção não me deixava dormir. E eu não dormir me deixava extremamente mau humorada, o que refletia na mãe e pessoa que eu estava sendo durante o dia. O tempo todo as tarefas eram divididas, mas a minha parte eu estava deixando a desejar e até agredindo, ainda que verbalmente, as pessoas que comigo conviviam. Era o meu limite. Eu não queria deixar de amamentar, eu queria dormir. Apenas isso.
Foi então que Samuel entrou.
Eu amamentava a última vez 23h e então, se ele acordasse a noite, samuel ninava, oferecia mamadeira (ele nunca aceitou) e o fazia adormecer novamente. Não foi fácil. Durante os três primeiros dias ele chorou no colo do pai, pois queria a mãe. Mas eu, se não suportasse aquele choro, o faria uma criança menos feliz no dia seguinte. Não faltou amor, colo e atenção do pai. E assim ele desistiu de clamar por meu afago e passou a ser confortado pelo pai. O sono dele melhorou 200%, o humor dele durante o dia também. As sonecas que antes eram picadas, se transformaram em uma longa durante o dia. A manutenção da rotina na hora do sono foi importante, pois passou segurança pra ele. Quando passou a dormir a noite toda (15 dias de processo) ele já sabia que iria jantar, mamar e dormir. 23h mamava dormindo e depois só quando o sol nascesse.
Só que no quarto dele não tem cortina. A-há.
Então ao primeiro raio de sol, lá estava Francisco. Me acordando e mamando adormecido até às 8h. Cortei. Coloquei uma manta azul marinho na janela e ele passou a dormir até 8h da manhã.
Mãe feliz, vínculo ainda maior pai-bebê, bebê feliz, irmão feliz e toda a família passou a dormir.
Fim.
Desmame noturno realizado com sucesso.

Próximo capítulo: Fim da livre demanda durante o dia e início do desmame diurno + desmame total.

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