Fim da livre demanda durante o dia
Até um ano eu mantive a livre demanda, Francisco mamava o quanto queria e isso eu disse AQUI. Como ele já fazia todas as refeições eu comecei a perceber que muitas vezes ele pedia o peito por sede logo após brincar muito ou por fome quando o horário da refeição se aproximava, e assim fui conhecendo melhor as demandas dele e me liberando para trabalhar períodos maiores. Quando ele pedia o peito eu oferecia água, algum alimento ou o distraía com brincadeiras. Passado um mês disso ele já estava mamando apenas pela manhã e a noite.
Um ponto importante que não citei no texto anterior foi o fato de Samuel dormir com ele para que ele acostumasse no seu quarto, coisa que hoje só deitamos enquanto ele adormece e o deixamos lá. Isso é: Samuel o faz dormir e volta para a cama comigo. O "tempo adulto" é importante para a auto estima do casal e revitalização do vínculo homem/mulher.
Com ele se alimentando bem e diminuindo drasticamente as mamadas, fiquei mais tranquila em deixar ele de um dia para o outro com a minha mãe. Vale ressaltar que ele pegou a mamadeira com outro leite (desnatado e sem lactose), o que facilitou o processo de desmame. Foi muito óbvio que a introdução do bico artificial em mais momentos do que apenas nos finais de semana fi fator colaborativo para o desmame. Isso é: a não ser que você não tenha a opção, mantenha a criança amamentada o mais longe possível de bicos artificiais, pois o desmame pode ocorrer antes e o primeiro passo pode ser dados pelo bebê e não pela mãe.
A viagem
Nossa viagem para Vegas estava próxima e ele ainda mamando e usando o peito como conforto, decidimos então levá-los para a cidade dos meus pais para que Francisco, que até então nunca tinha ficado sem os pais, tivesse a primeira experiência. João e cisco ficaram lá o final de semana, brincaram o tempo todo e dormiram muito bem. Francisco nem lembrou que tinha pai e mãe.
Ao voltar do final de semana ele estava mamando apenas ao acordar e ao dormir, como antes.
Desmame total
Fiquei dez dias longe, durante esse tempo ordenhei leite pois acreditava que quando voltasse iria amamentar normalmente. E foi isso que aconteceu, voltei e ele agiu como se nunca tivesse ficado longe. Mas eu estava exausta de amamentar, eu estava vendo meu filho como um fardo e acredito que a amamentação deve ser prazerosa para ambos, mas para mim não estava sendo. Eu sentia meu filho mamando como uma responsabilidade que eu não queria mais e o fato de que amamentar era uma troca de amor, pra mim virou um ato de repulsa. Eu sentia ele com a boca no meu peito e meu estômago começava a embrulhar. Foi aí que vi que o desmame total estava próximo, mas não sabia como e quando fazer.
Durante um ano venho adiando a retirada da minha vesícula devido a amamentação, não queria prejudica-lo e não seria possível carregá-lo pós cirurgia.
Eis que dois dias após chegar ao Brasil começa uma crise de cólica biliar e fui parar no hospital pela milésima vez em um ano, mas dessa vez a dipirona não adiantou, o buscopam também não, um remédio (não sei o nome) mais forte que o buscopam não fez nem cócegas e tivemos que apelar pra morfina. Saí do hospital com uma recomendação de cirurgia urgente, só não fiz na hora porque teria que fotografar no dia seguinte e meus clientes são prioridade. Também não poderia amamentar por 48h devido a quantidade de medicação. Médico entendeu,me liberou na condição de que eu marcaria minha cirurgia com urgência.
Só que sou mãe. Francisco pediu e eu dei o peito. Ele fez ânsia de vômito, ofereci o outro, quando o leite desceu ele teve a ânsia novamente. Acredito que a quantidade de remédios tenha alterado o sabor do leite e fez com que ele o rejeitasse.
Era a hora.
Eu preciso marcar minha cirurgia, cheguei ao meu limite.
Conversei, expliquei, dei amor e colo. A partir daquele dia não teria mais, era a minha decisão.
Ele entendeu? Não sei.
Ainda vem e faz aconchego no peito, mas não tem choro nem sofrimento. Explico e repito mil vezes que acabou, que agora é hora de seguir em frente e brincar. Hora ele fica bravo, hora sai correndo e continuamos a brincadeira. Ofereço mais água, mais comida e mais carinho.
Amamentar por 19 meses foi um ato de amor a ele, desmamar foi um ato de amor próprio.
Nossa relação melhorou, hoje ele brinca comigo e me olha como outra pessoa (antes eu era a teta ambulante). A amamentação deve ser leve, no começo é difícil, mas depois fica delícia e o desmame também deve ser leve.
Eu não coloquei curativos, não fingi que estava machucado. Não coloquei nada com gosto ruim. Só mostrei a ele que aquela hora era o meu momento, onde eu queria o meu corpo de volta. Meu coração sempre será dele(s), mas meu corpo sempre será meu.

ps: ao escrever esse texto meu peito encheu.
Era a hora.
Eu preciso marcar minha cirurgia, cheguei ao meu limite.
Conversei, expliquei, dei amor e colo. A partir daquele dia não teria mais, era a minha decisão.
Ele entendeu? Não sei.
Ainda vem e faz aconchego no peito, mas não tem choro nem sofrimento. Explico e repito mil vezes que acabou, que agora é hora de seguir em frente e brincar. Hora ele fica bravo, hora sai correndo e continuamos a brincadeira. Ofereço mais água, mais comida e mais carinho.
Amamentar por 19 meses foi um ato de amor a ele, desmamar foi um ato de amor próprio.
Nossa relação melhorou, hoje ele brinca comigo e me olha como outra pessoa (antes eu era a teta ambulante). A amamentação deve ser leve, no começo é difícil, mas depois fica delícia e o desmame também deve ser leve.
Eu não coloquei curativos, não fingi que estava machucado. Não coloquei nada com gosto ruim. Só mostrei a ele que aquela hora era o meu momento, onde eu queria o meu corpo de volta. Meu coração sempre será dele(s), mas meu corpo sempre será meu.

ps: ao escrever esse texto meu peito encheu.
Exatamente tudo que sinto... preciso começar o desmame e voltar a me sentir mulher!!! Amei o texto e as dicas��
ResponderExcluirLindo texto! Sou psicóloga e mãe do meu primeiro pequeno e achei tão belo e forte o que você escreveu! As vezes é tão difícil tomar certas decisões, mas elas são tão importantes! Pode ter certeza que além do bem que esta decisão lhe faz está o bem que ela faz a seu pequeno! Isso é uma atitude de amor imensa!
ResponderExcluirParabéns!
Pode te colocar numa caixinha e guardar aqui em cada? Mto amor! Coisa linda de ler!
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