Hoje me peguei pensando nos meus planos até duas semanas atrás, fotógrafa, recém-formada em um curso de comissária de voo, com um filho de quatro anos, alguns quilos mais magra e com uma vontade imensa de ir para os Estados Unidos para melhorar meu inglês, e automaticamente voltei 4 anos e 8 meses, quando descobri estar grávida do Joca. 18 anos, primeiro período de faculdade e a ufmg era só o começo da minha vida. Tinha todos os motivos do mundo pra me sentir frustada e com medo, mas mesmo assim me senti bem e tinha a certeza de que daria conta. Foi automático aquele instinto materno absurdo, meu medo de que algo desse errado onde eu carregaria a culpa eterna por toda bebida alcoólica que havia consumido naqueles três primeiros meses, a vontade era cuidar e criar um ser humano melhor pro mundo e nesse ritmo sigo até hoje. E não, não sou frustada. Abriria mão de cada noite com amigos por deitar e ter a certeza de estar perto para qualquer coisa que o Joca precisar. E sobre a profissão, amo ser Mãe. E se existe alguma que envolve maior responsabilidade que essa eu desconheço. De que vale qualquer outra coisa perto da grandeza que é gerar e educar outro ser?
Mãe é boba, boba que dói. Carrega culpa onde não tem e isso pesa em quem sabe o quão duro é ser mãe. Hoje eu me culpo, por estar de repouso e não dar atenção que o filhote demanda, mas sei que preciso disso para que o outro bebê cresça saudável. E? O que fazer com a culpa? Nada, ela vem no pacote maternidade e vou carregá-la por todos os dias da minha vida. Caiu? Culpa minha. Cólica? Culpa minha. O vizinho de cima jogou uma pedra na janela e o acordou? Culpa minha, pra que fui escolher esse prédio? E agora a culpa é por dois, já me culpo da minha alimentação ruim, de não estar me exercitando e de ter feito aquela escova progressiva um dia antes de saber da gravidez. E se der algo errado? Mea culpa.
No fim eu planejo, me julgo, me culpo e todos os dias chego a conclusão de que fiz o melhor que podia e toda minha preocupação foi em vão. O jeito é descomplicar, mas ainda não aprendi e nem sei se tenho interesse em parar de manipular os planos da criação perfeita. Ah mãe, eu mal sabia o peso que essa palavra carrega.