Sempre fui baixinha, gordinha, com o cabelo ondulado, peituda e sem bunda. Nunca fui padrão de beleza e sempre tive amigas que faziam questão de jogar isso na minha cara. Todas as vezes em que vou comprar roupa a parte de cima é difícil de achar, porque sobra peito para todos os lados. Nunca segui a última moda, sempre sigo o que eu me sinto bem. Fui abolindo padrões da minha vida e pessoas também, superficialidade e futilidade não me acrescentam nada. Ultimamente ando sendo ainda mais radical com isso, só uso o que me faz bem e só quero perto quem me faz bem. O motivo de tudo isso? Pode ser a gravidez, pode ser a maternidade ou amadurecimento, mas é uma decisão que impactou diretamente na vida do meu filho e na minha auto estima.
A partir do momento em que você para de seguir o que é boa forma física e passa a seguir os bons corações tudo se enche de alegria e paz. Beleza exterior quando super valorizada não leva ninguém a lugar nenhum. Se eu falasse isso pra uma pessoa que eu conheci ela provavelmente me acharia uma louca de achar que se pode ser "feia" e feliz, mas é exatamente esse o ponto que quero chegar. Fui educada a ver o que as pessoas tem de valores para trocar e não o quanto (ou o que) ela pode me dar. Quantidade nunca foi importante, qualidade é essencial. As pessoas com corações bons que conheci não querem ser as mais bonitas, as mais ricas, as que tem mais. Essas pessoas querem ser feliz com menos, querem sempre menos para que a felicidade seja a única em excesso. De que valem os padrões se o bom da vida são as diferenças?
Essa ideia de querer sempre menos tem refletido no dia a dia do João e na minha gestação, tenho seguido cada vez mais o tempo do Joca, gastado mais tempo com toda a super imaginação dele, sido menos rigorosa e mais paciente, tenho tido mais tempo pra deixar a natureza tomar conta do que é dela, do crescimento dos meus filhos e do meu amadurecimento como mulher. Tenho sido mais mulher, me amado como sou, com meus defeitos e qualidades. Gasto menos dinheiro, ganho mais amor e assim têm dado certo.
Tenho me pegado meio índia, querendo menos, querendo ir pro meio do mato produzir meu alimento e ser feliz por lá. Querendo parir em uma oca, só com o amor e a paz que João me proporciona. Cada dia quero menos e agradeço por estar assim, quero menos pressa, menos correria e menos estresse. Mais tempo, mais vida, mais saúde, mais paz e mais sorrisos.
E se um dia eu fui a gorda, hoje eu sou a gorda feliz. Uma casa com horta, um peito cheio de leite e uma camisa de propaganda eleitoral seria o bastante pra viver o nosso "felizes para sempre".