Que a vida é feita de justificativas estamos cansados de saber, mas até que ponto essas justificativas influenciam nossa vida? Desde que me tornei mãe penso em como deixar um ser humano respeitoso para com os outros, que viva a vida de forma leve e tenha um olhar crítico para com a vida. Aí fica a questão: o que faço com ele é problema de quem? Esse questionamento surgiu no momento em que decidi seguir um modelo de criação baseado no amor e apego, pois acredito que só criaremos adultos mais tolerantes e amáveis se formos exemplo. E até que ponto o exemplo influencia a sociedade em geral?
No "fantástico mundo da maternidade" nos acostumamos a ouvir algumas expressões que se resumem em uma só "Ninguém sabe o que eu passo com o meu filho e o que eu faço com ele é problema meu, afinal ninguém paga minhas contas e não o cria". Depois de muito refletir sobre isso cheguei a uma conclusão pessoal e intransferível: o que você faz com o seu filho não é só da "sua conta", a partir do momento em que vivemos em sociedade as suas ações influenciam diretamente no funcionamento da mesma. Em sociologia, uma sociedade é o conjunto de pessoas que compartilham propósitos, gostos, preocupações e costumes, e que interagem entre si constituindo uma comunidade, que é um conjunto de pessoas que se organizam sob o mesmo conjunto de normas, geralmente vivem no mesmo local, sob o mesmo governo ou compartilham do mesmo legado cultural e histórico. Pensando em termos sociológicos e seguindo esse raciocínio estamos todos unidos por uma rede e a ação de uma formiga influencia no meu dia-a-dia. Se você decide dar a "palmada educativa" no seu filho, ele irá aprender a resolver os conflitos com palmadas e quando confrontado por outra criança irá reproduzir esse comportamento. O mesmo vale para a criança que é deixada chorando e não aprende a confiar, no futuro essa criança irá se relacionar profissionalmente e emocionalmente com outras pessoas e essas sofrerão pela falta de confiança de um adulto que não consegue ter confiança nas pessoas, pois quando precisou de dependência era deixado chorando. A cesária eletiva que é feita por medo dobram o risco de mortalidade dos bebês em relação aos nascidos de parto natural, essa mãe que se expõe a esse risco pode vir a ser vítima dessa exposição ficará aqui e precisará de apoio da nossa comunidade. Acredito que seja nosso dever, como humanos parte de uma sociedade, oferecer informação baseada em evidências e apoio para os pais, visto que estes não enfrentarão sozinhos as consequências da criação, sejam elas positivas ou negativas.
Para ser mais clara, pensaremos na mãe do Hitler. Ela fez tudo o que podia, o que achava melhor para a criação de um filho religioso e inteligente, Hitler não gostava do pai, que apreciava a disciplina e o educava severamente. Essa inteligência foi usada para outros fins e afetou milhões de pessoas, logo o que deveria ser problema daquela mãe e daquele pai, se tornou um problema mundial. O mesmo vale para os pais de participantes de esquemas de corrupção, de traficantes, de matadores, ... O que fazemos em casa influencia diretamente a vida de milhares de pessoas e sim, é problema de todo mundo!
A partir do momento em que decidimos colocar uma criança no mundo e fazer dessa criança um adulto responsável, devemos nos abrir a estudos, críticas e pesquisas, refletir sobre o que é melhor para esse pequeno ser e absorver o que for útil e aplicável a nossa realidade. O discurso de sobrevivente "meu filho usou, eu usei e não morrermos" deve ser esquecido, porque muitos morreram, mas quem morreu não está aqui contando história. A expectativa de vida nunca foi tão alta e devemos isso as pesquisas que foram feitas buscando melhorias para que houvessem menos sobreviventes. O mesmo vale para as "menos mãe" que se auto denominam assim e voltam nesse assunto sempre que possível pra justificar suas escolhas, se você fez a melhor escolha baseada em conhecimento e está certa disso não tem que se preocupar e se sentir diminuída quando outra mãe coloca uma experiência a qual aplicou métodos diferentes. Odiar "radicalismo" também é outro termo que deve ser revisto, se não odiarmos o radicalismo não seremos contra a corrupção, contra a escravidão, contra o racismo, contra crimes hediondos, ... Afinal, que mal faz ser um pouco escravizado, não é mesmo? Se odiamos o radicalismo abrimos precedentes para quem quer ser um pouco corrupto, matar só um pouco, ser só um pouco racista. O radicalismo está presente em nossas vidas em formas de leis para a melhor convivência, em forma de estudos, mostrando o melhor caminho para infinitas possibilidades. Devemos sim ser radicais quando acreditamos que algo é benéfico e buscar esse benefício. E a partir do momento que você se coloca contra radicalismo está, automaticamente, se colocando como radical.
O ideal é sempre correr atrás do que acreditamos, buscando ajuda e absorvendo o que é útil em nossa realidade. Se nos abrirmos para conhecimentos e não para achismos, nos esforçarmos para buscar o melhor para a sociedade e parar de pensar no mundo como o próprio umbigo com certeza o mundo será um lugar melhor.
... E eu continuo a minha tentativa de como deixar um ser humano melhor para o mundo.